O artesanato de Santa Cruz não é muito desenvolvido, devido a muitos factores diferentes, contudo ainda há algumas actividades a que se dedicam os artesãos, eis alguns exemplos:
Objectos em cera:
As crenças religiosas levam a que o povo faça promessas, para que aquelas sejam cumpridas, é necessário que haja alguém a criar as diversas partes do corpo (chamadas “promessas”). Os artesãos que se dedicam à produção de tais promessas ainda persistem na freguesia. De momento a freguesia só conta com dois artesãos, que se dedicam à produção de círios e das chamadas promessas do corpo.
Cestos de cana:
Os cestos, mas também conhecidos por “safatos”, feitos de cana de bambu. Para fazer um “safato”, o artesão tem que escolher muito bem as canas que vai utilizar, porque estas não podem ser muito grossas, nem muito delgadas. Depois de escolhidas as canas é hora de limpar a folhagem, a seguir corta-se as canas ao meio e faz-se tiras finas. Da parte da cana mais grossa aproveita-se e faz-se as tiras grossas que servirá para elaborar a estrutura do cesto. Com as tiras finas completa-se a estrutura passando por fora e por dentro das grossas até completar a feitura do cesto. Depois arremata-se e faz-se a asa do cesto de forma a se poder pegar no cesto para transportar. Todo o “safato” é feito com cana de bambu. Este tipo de cesto apresenta muitas utilidades desde o levar a refeição para o campo, a servir de berço a alguns bebés. Ainda hoje se encontra à venda no mercado do Funchal.
Tapetes de retalhos:
Embora sejam cada vez mais raros, os teares manuais ainda continuam a existir, contudo já não apresentam funcionalidade devido a vários factores: as tecedeiras não se sentirem motivadas para a venda do produto, fazendo somente para familiares, ou porque não se encontram em estado de saúde que lhes permita trabalhar no tear, ou também porque as gerações mais novas não se interessam por adquirir os conhecimentos com as sábias tecedeiras porque o desenvolvimento sócio-económico permite que hoje se compre tudo no mercado a um preço mais acessível. Os tapetes de retalhos foram e são ainda, na actualidade, um adereço usado na maior parte das casas de Santa Cruz.
Para fazer uma teia de retalhos, a primeira fase passa pela selecção das roupas, segundo as cores e a textura, são utilizadas roupas em desuso ou então retalhos de costura.
Depois, os tecidos são cortados em tiras e, unidas umas às outras e embrulhadas em novelos.
Uma vez feitos os novelos necessários, é altura de urdir a teia, com algodão preto ou branco, de acordo com as cores dos retalhos, se são escuros ou claros.
Depois, é pôr a teia no tear e começar a tecer em listas, numa sequência de cores. Ou, então com uma sequência de motivos, em forma de losangos, triângulos, isto depende da imaginação e bom gosto da tecedeira ou das exigências de quem manda tecer tapetes.
Em tempos, havia quem urdisse teias grandes, com quinze e mais ramos, para cobertas e tapetes.
Os tapetes de retalhos continuam a constituir bonitas peças de artesanato, testemunho de uma arte milenar e que nesta freguesia se encontra em vias de desaparecer se ninguém se preocupar em preservar esta bela arte dos tapetes de retalhos. É que a qualidade do produto, bem melhor que idênticas produções industriais, pela beleza e durabilidade, merece carinho e preocupação em preservá-la.
Ainda hoje, em Santa Cruz, são lembrados os vários brinquedos tradicionais, todos de fabrico e uso caseiro, que já não se encontram à venda, como por exemplo:
Carrinhos de canas
Brinquedo usado normalmente por crianças até à idade da adolescência, que viviam no campo, eram usados em concentrações de crianças, que por sua vez organizavam provas e demonstrações como por exemplo: o mais bonito, o maior, o mais original.
É usado arame (verga), canas de Bambu e é confeccionado na casa do próprio utilizador.
Carros de pau
Tem a sua origem em toda a freguesia, era usado muitas vezes como meio de transporte de alguns produtos das terras altas (serra) da freguesia até à povoação (vila, hoje cidade), corridas de carro de pau. Usava-se madeira para fazer a estrutura do carro, borracha para cobrir a parte das rodas, que andam no chão e arame e os arcos, para fabricar os travões.
Joeira
É um brinquedo de fabrico caseiro, criado pela imaginação do seu utilizador, brinquedo este que caracteriza as épocas da Páscoa e Santos Populares, havendo uma frase que dizia: “Oh São João da Ribeira, dê um ventinho para alterar a joeira”. O material usado na sua confecção eram as tiras de cana de Bambu, Barbante para armar a joeira, papel de vários tipos para forrar a estrutura, tiras de pano para fabrico da cauda, que faz com que a joeira estabilize em altitude com o vento.